Associação Brasileira da Construção

Industrializada de Concreto

Industrializar em Concreto 37 - abril de 2026

CENÁRIO ECONÔMICO

A indústria de pré-fabricados cresce acima da média e revela seus planos de modernização e sustentabilidade

A indústria brasileira de pré-fabricados de concreto registrou um desempenho robusto em 2024, superando o crescimento da economia brasileira e da maior parte dos elos da cadeia produtiva da construção. O volume de produção de pré-fabricados registrou aumento de 7,4% em relação ao ano anterior, enquanto as vendas cresceram ainda mais, em 9,6%. Em 2024, as vendas da indústria de materiais registraram uma expansão de 6,1%.
Vale lembrar que em 2024, o PIB nacional cresceu 3,4% e o da construção, 4,4%. 

Outro indicador relevante do crescimento foi o aumento da utilização da capacidade produtiva. Em 2024, as empresas informaram operar, em média, com 70% de sua capacidade instalada, um salto significativo em relação aos 53% registrados em 2023. 

A indústria de pré-fabricados atende a diferentes segmentos da construção, mas alguns setores desempenham um papel particularmente relevante. Em 2024, os principais destinos das vendas foram projetos industriais (28%) e centros de distribuição e logística (18%), o que reflete a expansão da infraestrutura produtiva e do comércio eletrônico no país. Obras de infraestrutura, edifícios comerciais e projetos ligados ao varejo também tiveram participação significativa.  Por outro lado, o segmento habitacional, embora tenha apresentado crescimento recente, ainda responde por uma parcela relativamente pequena da demanda por pré-fabricados. Esse dado evidencia que, apesar do avanço do debate sobre a industrialização da construção, o uso de sistemas industrializados permanece limitado na produção habitacional brasileira.

Outro aspecto destacado pela sondagem é o avanço gradual da modernização tecnológica nas empresas do setor. O concreto autoadensável, que oferece maior eficiência construtiva e melhor desempenho estrutural, já é produzido por 78% das empresas, o que representa, em média, 64% do volume total produzido. 

Além disso, cresceu o interesse pelo Ultra High Performance Concrete (UHPC) — um material de altíssimo desempenho estrutural. A tecnologia começa a se disseminar: 56% das empresas afirmam estar estudando sua implantação, enquanto cerca de 14% já a iniciaram ou a concluíram. 

Esses movimentos indicam que a indústria busca ampliar a eficiência produtiva e desenvolver soluções com maior durabilidade e desempenho estrutural, alinhadas às demandas de sustentabilidade e redução de emissões na construção.

A sondagem também levantou as estimativas das empresas para o ano de 2025: mesmo diante de um cenário macroeconômico mais desafiador — marcado por juros elevados e desaceleração da economia — a maioria das empresas indicou aumento da produção. Provavelmente o setor de pré-fabricados deverá superar novamente o desempenho da economia e do setor. De acordo com o IBGE, em 2025, o PIB brasileiro cresceu 2,3%, enquanto a construção, apenas 0,5%.

E o otimismo extrapola para o ano que começa, com saldo amplamente positivo nas expectativas de crescimento.  Assim, o ambiente de confiança também se reflete nas decisões de investimento: 51% das empresas pretendem ampliar os investimentos nos próximos 12 meses, e, dentre elas, 68% afirmam que a decisão já está definida. 

A expansão recente da indústria de pré-fabricados mostra que seu desempenho ultrapassa o próprio ciclo econômico, pois está fortemente vinculada à industrialização da construção brasileira. O início da transição da reforma tributária abre uma janela importante de oportunidades para o avanço da industrialização na transformação da construção brasileira.  No entanto, o crescimento da atividade também traz desafios estruturais, especialmente relacionados à escassez de mão de obra qualificada.  

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