Associação Brasileira da Construção

Industrializada de Concreto

Industrializar em Concreto 38 - setembro de 2026

OPINIÃO DA ACADEMIA

A universidade como alicerce da inovação na construção industrializada

A evolução da construção industrializada em concreto passa, necessariamente, pela capacidade de transformar conhecimento em inovação. É justamente nesse ponto que a academia exerce um papel insubstituível. As universidades representam o motor científico desse setor, fornecendo conhecimento, formando profissionais e desenvolvendo pesquisas que permitem ao mercado evoluir com segurança e inovação.

É na academia que muitas das respostas aos desafios da construção civil começam a ser elaboradas. Pesquisas sobre concretos de alto desempenho, concreto de ultra alto desempenho (UHPC), fibras e novos materiais vêm ampliando as possibilidades da engenharia, ao mesmo tempo em que impulsionam a modernização das normas técnicas e contribuem para uma indústria mais eficiente e sustentável.

Ao longo da minha carreira, tive experiências que reforçaram essa convicção. Uma delas foi a implantação da disciplina de obras pré-fabricadas em concreto na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). Mesmo sendo optativa, a procura surpreendeu desde a primeira turma. Durante todos os anos em que foi oferecida, as vagas foram totalmente preenchidas. Isso demonstrou que existia um enorme interesse dos estudantes por esse sistema construtivo e revelou o potencial da universidade para despertar novos profissionais e aproximá-los das demandas do mercado.

Outro fato marcante foi o interesse crescente das indústrias em participar desse processo de formação, procurando a universidade para oferecer visitas técnicas aos alunos, entendendo que esses alunos representavam a próxima geração de engenheiros, especificadores e tomadores de decisão. 

Essa integração é um dos pilares do desenvolvimento tecnológico da pré-fabricação de concreto. As universidades desempenham um papel essencial na transferência de tecnologia, na prestação de consultoria, na validação de novos processos e na formação de mão de obra altamente qualificada. Essa interação reduz custos, aumenta a produtividade e fortalece a competitividade da indústria nacional, sempre com foco em uma construção mais sustentável.

Esse modelo colaborativo será cada vez mais importante diante dos desafios atuais, como a redução das emissões de carbono, o aumento da produtividade e o uso mais eficiente dos recursos, o que exige soluções fundamentadas em pesquisa. A academia pode contribuir de maneira significativa no desenvolvimento de ligantes de menor emissão de carbono, na redução do consumo de clínquer, na incorporação de adições minerais e resíduos reciclados, na otimização dos processos de cura e logística, além da aplicação de nanotecnologia, inteligência artificial e novas ferramentas digitais para controle e gestão da produção.

Nesse cenário, a atuação da Abcic merece destaque por promover a aproximação entre o ambiente acadêmico e o setor produtivo. Ao incentivar pesquisas, apoiar a difusão de novas tecnologias, realizar eventos técnicos e investir em educação continuada, a entidade cria oportunidades para que conhecimento e prática caminhem juntos. Sou testemunha dessa contribuição desde a capacitação promovida pela entidade em 2003, que possibilitou a implantação da disciplina na UFMS. Durante 16 anos, mais de mil alunos tiveram contato com os conceitos da construção industrializada, levando esse conhecimento ao mercado.

Portanto, quando universidade, indústria e entidades setoriais trabalham em conjunto, o resultado é uma engenharia mais inovadora, profissionais mais preparados e um setor capaz de responder, com eficiência e sustentabilidade, às demandas da sociedade.

Sandra Regina Bertocini, 
Diretora técnica da consultoria SJB. Foi docente na Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS) por 30 anos
 

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