Associação Brasileira da Construção

Industrializada de Concreto

Industrializar em Concreto 37 - abril de 2026

PONTO DE VISTA

Industrialização é a resposta para superar os desafios enfrentados pela construção civil

Esperamos um crescimento moderado do PIB do Brasil neste ano, em função dos nossos problemas estruturais que ainda não foram resolvidos. O setor imobiliário, em virtude dos poucos investimentos realizados nas últimas décadas, dispõe de poucos imóveis disponíveis para atividades industriais, comerciais, de serviços, de logística, institucionais etc. Em função desta escassez, é certo que o setor da construção civil terá que apresentar um crescimento mais robusto do que o da nossa economia para atender a estas demandas. Temos uma enorme carência de infraestrutura em todo o país, que constitui outra barreira ao desenvolvimento e precisa ser resolvida. Além disso, novas demandas, como os grandes datacenters que vêm para o Brasil e necessitam de edifícios específicos para abrigá-los.

E como avalia o setor de pré-fabricados de concreto no momento atual?

Avalio com mais otimismo do que enxergo o setor da construção no seu todo, pois acreditamos que a pré-fabricação é uma boa alternativa para a industrialização dos canteiros de obra, que se tornou uma necessidade e não apenas uma opção. 

A quantidade de construções não residenciais em andamento no Brasil aumentou significativamente em relação ao que se observou na década passada, e o percentual de obras que utilizam pré-fabricados de concreto em relação ao total de obras em execução aumentou exponencialmente no mesmo período.  

Também é possível observar o emprego da pré-fabricação em concreto em muitas construções residenciais, tanto em unifamiliares quanto em condomínios verticais, em todo o país. Até mesmo na execução de edifícios altos, onde o sistema era pouco utilizado, temos muitas obras em andamento e este tipo de solução está se tornando uma realidade, pois confere uma boa relação entre custo, desempenho e estética nestes empreendimentos.  

A industrialização tem sido bastante citada como uma das alternativas para que o mercado da construção tenha maior produtividade e sustentabilidade, bem como para enfrentar a crise de mão de obra. Como analisa esse cenário e quais são os motivos do protagonismo da industrialização?

Os países mais desenvolvidos já industrializaram seus processos construtivos. Empresas e investidores estrangeiros com operações no Brasil almejam ter aqui o mesmo nível de qualidade, velocidade e eficiência nas construções realizadas em seus países de origem, e isso só é possível por meio da industrialização.

O mercado imobiliário também evoluiu para se adaptar a consumidores mais exigentes, que dispõem de um novo arcabouço de normas, legislação e regulamentações para se ampararem e exigirem mais qualidade e desempenho das construções, e tudo isso deve se enquadrar em um preço “justo” que, muitas vezes, parece insuficiente para o que precisa ser feito para atendê-los. Acreditamos que a resposta a esta equação também decorre da industrialização.

Trago o exemplo do agronegócio brasileiro, que era tão, ou até mais, rudimentar que a construção civil até o início dos anos 80, porém conseguiu evoluir, incorporar novas tecnologias e mecanizar a produção. Hoje é referência mundial na produtividade de vários tipos de grãos e de proteína animal. A grande demanda gerada em função da necessidade de outros países de comprar alimentos do Brasil, especialmente a China, ajudou muito o agro, mas o fator decisivo foi a atenção e auxílio que nossos governantes deram para o setor. Para a construção civil, neste período, tais políticas e ações governamentais mais dificultaram do que ajudaram no processo de industrialização. 

Acreditamos que a industrialização das obras, que ocorreu em países europeus ainda na década de 90, está em andamento no Brasil, com 30 anos de atraso.

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