DE OLHO NO SETOR
Especialistas reunidos no ENAFIBRAS 2026, incluindo a engenheira Ligia Doniak (Abcic), defenderam avanço da normalização, qualificação da cadeia produtiva e integração entre indústria e academia para consolidar novas aplicações em pré-fabricados e estruturas
Vigas e painéis pré-fabricados estão entre os elementos com maior potencial de ganho produtivo, principalmente pela possibilidade de reduzir ou eliminar estribos em determinadas aplicações. “A indústria está disposta a estudar e explorar todas as possibilidades que o concreto reforçado com fibras e o UHPC oferecem”, afirmou Ligia.
O debate também abordou o crescimento de projetos arquitetônicos mais sofisticados e orgânicos, que demandam peças mais leves, esbeltas e tecnologicamente avançadas. Para Paulo Koelle, o protagonismo dessa transformação estará nas mãos dos projetistas. “Quem manda é o projeto. Quando a arquitetura demandar essas soluções, o mercado vai acompanhar”, refletiu.
Em suas obras, a Stone tem aplicado fibras de forma recorrente. “Em 90% dos projetos, mesmo no sistema convencional, utilizamos fibras”, pontua, Koelle, que citou um benefício importante quando se usa essa tecnologia: a logística. “Já transportamos painéis em uma distância da fábrica até o canteiro de 1,2 mil km. Antes a distância percorrida chegava ao máximo de 500 km”, explicou.
Integração entre indústria e academia
A aproximação entre universidades e indústria para a realização de ensaios em escala real e desenvolvimento de novas aplicações. Lígia citou iniciativas apoiadas pela ABCIC em parceria com centros de pesquisa e fabricantes, incluindo estudos com vigas, consolos e elementos estruturais em UHPC.
Entretanto, ela ponderou que o desconhecimento técnico ainda é um dos principais entraves para a ampliação do uso de fibras em estruturas. “Os cursos de engenharia ainda dedicam pouca atenção ao tema, o que gera resistência entre os profissionais do setor. Muitos engenheiros ouviram falar de fibras, mas não tiveram formação específica sobre o assunto. Isso também aconteceu com o concreto protendido no passado.”
Segundo Lima, a participação da Abcic elevou o nível das discussões ao trazer ao evento a experiência acumulada pela indústria brasileira de pré-fabricados de concreto. "O crescimento do setor acontece de forma coletiva, nunca de maneira isolada. Trazer a Abcic para o ENAFIBRAS significa compartilhar todo o conhecimento que a entidade acumulou ao longo dos anos e aproximar diferentes segmentos da engenharia em torno dos mesmos desafios", afirma.
Sobre o painel, ele afirma que foi extremamente positivo, pois cada debatedor conseguiu apresentar a realidade do próprio mercado e seus respectivos desafios. “Ano a ano, precisamos renovar essa união, intensificar a cooperação entre associações, criar comitês técnicos, desenvolver normas e disseminar o conhecimento. Essa evolução depende de um trabalho conjunto e permanente."
Futuro da engenharia
Na avaliação de Lima, um dos principais resultados do ENAFIBRAS 2026 foi o fortalecimento da integração entre as entidades que atuam no desenvolvimento do concreto reforçado com fibras e da construção industrializada. Destaca-se, ainda, que o evento marcou a renovação da diretoria do IFRC, reunindo profissionais responsáveis pelo desenvolvimento das principais inovações do setor.
"É um ambiente onde estão as pessoas que fazem o mercado acontecer. É daqui que surgem novas soluções, tecnologias e tendências que, muitas vezes, já são realidade em outros países e passam a ser discutidas e adaptadas à engenharia brasileira”, disse Lima.
Ele ressaltou que a construção industrializada de concreto é o futuro da engenharia nacional. “E isso passa pelo avanço do reforço estrutural”, pontuou. Para ele, o foco em estruturas mais leves, que propicia a redução do transporte vertical e horizontal, só é possível com o avanço dos materiais compósitos, como o UHPC, que tem como reforço a fibra.