Associação Brasileira da Construção

Industrializada de Concreto

Industrializar em Concreto 37 - abril de 2026

OPINIÃO DA ACADEMIA

Quando a academia encontra a indústria, a construção avança

A integração entre a academia e a indústria é fundamental para a evolução da construção industrializada de concreto. Como aluna do professor Mounir Khalil El Debs, vivenciei como a união entre a pesquisa e a produção pode elevar o nível de inovação das empresas ao avaliar, testar e validar, respondendo a perguntas fundamentais: isso é seguro? É viável tecnicamente? Faz sentido do ponto de vista econômico? Pode ser aplicado em larga escala?

No contexto da engenharia civil e da indústria do concreto, a academia tem grande interesse em aplicar o conhecimento à sociedade. Por isso, a aproximação com as empresas resulta apenas em benefícios. Em muitos casos, as indústrias não possuem um setor especializado em pesquisa, por exemplo, e, ao se integrarem às universidades e aos pesquisadores, as possibilidades de crescimento aumentam e seu desenvolvimento beneficia, ao mesmo tempo, a academia. Por isso, é uma parceria extremamente poderosa para ambos os lados.

Ao longo da minha carreira, um marco importante foi participar, desde 2019, no CT 303 - Comitê da Abece-Ibracon, para discutir no Brasil o UHPC (Concreto de Ultra-Alto Desempenho) a ser aplicado na indústria da pré-fabricação de concreto. Naquele momento, tratava-se de um tema ainda incipiente no país, apesar de já bastante explorado em países como a França, os Estados Unidos e até a Malásia. 

Desde então, venho acompanhando de perto a evolução desse debate, e é gratificante perceber como, especialmente após a pandemia, o interesse das empresas vem crescendo de forma mais consistente. Recentemente, fui procurada por algumas delas para conversarmos sobre o uso do UHPC em escala industrial. 

Outro fator marcante foi, no ano passado, ter participado ativamente de ações promovidas pela Abcic, em especial do 4º PPP – Encontro Nacional de Projeto-Pesquisa-Produção em Concreto Pré-Moldado, um evento fantástico, no qual pude reconfirmar o interesse do setor em buscar conhecimento sobre o UHPC para sua implementação e aplicação em projetos. 

A mesma lógica de integração se aplica diretamente à normalização técnica. As normas são, acima de tudo, um norte para projetistas, construtores e toda a cadeia produtiva, com diretrizes, segurança e economia. Por isso, sua elaboração deve ser coletiva, garantindo pluralidade de visões e maior aderência à realidade do setor. É no diálogo entre diferentes visões que surgem documentos mais completos, aplicáveis e confiáveis. Exemplo disso são as normas ABNT NBR 6118 e ABNT NBR 9062, que reúnem pesquisadores, projetistas e representantes da indústria em torno de um objetivo comum.

Tenho vivido essa experiência de forma intensa ao coordenar a Comissão de Estudo Estruturas de Concreto de Ultra Alto Desempenho em Edificações (CE-002:124.029). É uma experiência nova e desafiadora, que carrega uma grande responsabilidade: produzir textos que realmente façam sentido para o mercado, que sejam seguros e utilizáveis. Ao longo desse processo, fiz uma imersão no assunto, dialogando com outros profissionais de comissões, com pesquisadores internacionais e com o professor e engenheiro italiano Marco di Prisco, membro da fib – International Federation for Structural Concrete. 

A Abcic participa desse comitê, por meio da engenheira Ligia Doniak, e tem contribuído há muitos anos com a academia e, no caso da PUC-Campinas, auxiliando na disseminação do conhecimento sobre a construção industrializada. Admiro muito a entidade por buscar essa integração constante entre a academia e as indústrias em suas atividades. Esse papel estratégico tem sido fundamental para o sucesso da pré-fabricação em concreto no Brasil. .

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