Associação Brasileira da Construção

Industrializada de Concreto

Industrializar em Concreto 24 - dezembro de 2021

ARTIGO TÉCNICO

Sustentabilidade nas Estruturas Pré-Fabricadas de Concreto

David Fernández – Ordónez Secretário geral da fib , editor e autor do fib Boletim 88 Federação Internacional do Concreto Íria Lícia Oliva Doniak Presidente Executiva da Abcic e autora do fib Boletim 88 Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto.

3. Caminhando para emissão de EPDs

De todo o material compilado naa publicação da fib, classificada como um relatório do estado da arte no mundo, o aspecto fundamental e objeto de reflexão deste artigo é que todas as ações precisam desembocar num documento final, passível de ser avaliado preferencialmente por um organismo de terceira parte, denominado EPD (em português, 

FIGURA 3 – Ciclo de Vida para um elemento pré-fabricado e estrutural indicando os limites do Sistema

Declaração Ambiental de Produto). Esta declaração, em síntese, atesta os dados ambientais sobre o ciclo de vida dos produtos de acordo com a norma internacional NBR ISO 14025 Rótulos e declarações ambientais - Declarações ambientais de Tipo III - Princípios e procedimentos.

É, portanto, necessário estabelecer o ciclo de vida do produto, considerando as fases estabelecidas na Figura 2 e meios confiáveis de, nas etapas estabelecidas, avaliar os indicadores que devem ser coletados, tomando-se por referência  três grupos principais:

1) Indicadores de impactos ambientais:

  • Potencial de Aquecimento Global  (Global Warming Potential);
  • Potencial de destruição da Camada de Ozônio;
  • Potencial de Acidificação (de provocar chuvas ácidas);
  • Eutrofização da água;
  • Formação de Oxidantes fotoquímicos (Ozônio Troposférico);
  • Depredação de recursos naturais renováveis e não renováveis;

FIGURA 4 – EPD para 1 ton de  estrutura pré-fabricada (aplicação estrutural)

2) Indicadores da Utilização de Recursos:

  • Uso de energia renovável primária, excluindo o uso como matéria-prima;
  • Uso de energia renovável primária, incluindo o uso como matéria-prima;
  • Uso de Energia não renovável (com e sem uso como matéria prima);
  • Combustível de fonte renovável e não renovável;  
  • Água potável;

3) Destinação de Resíduos:

  • Resíduos;
  • Resíduos Perigosos;
  • Lixo radioativo.

No Brasil, a indústria da pré-fabricação em concreto, por meio da ABCIC, tem no Selo de Excelência ABCIC, que, a partir do nível III, é um importante ponto de partida para o desenvolvimento das EPDs , posto que antesde se ter as informações para compor os indicadores, é precisoter nas empresas uma cultura estabelecida para a coleta de dados e informação , com confiabilidade, bem comoanalisa-los de forma adequada. Também a cultura da auditoria e avaliação por órgão de 3ª parte, que, no caso do selo de Excelência Abcic, vem sendo realizadas pelo IFBQ (Instituto Falcão Bauer da Qualidade). 

O CBCS (Centro Brasileiro da Construção Sustentável) estabeleceu para a indústria de blocos de concreto o ciclo de vida modular (ACV-m). Ele está baseado em requisitos mínimos, como consumo de energia, consumo de água, consumo racional de matérias-primas e emissão de CO2. Esses requisitos, acrescidos da geração e destinação de resíduos sólidos e líquidos, controle de ruídos e os impactos do transporte da planta de produção à obra, estão propostos no nível III do Selo de Excelência, não apenas como controle de impactos ambientais, mas incluindo o controle, treinamento do pessoal e  a formação de indicadores. À época, em 2001, quando foi iniciado a estruturação do programa, o referencial foi a ABNT NBR ISO 14001 Sistema de Gestão Ambiental, com o intuito de trazer aspectos básicos e introduzir nas empresas aspectos de gestão ambiental. Portanto, os registros existentes devem ser analisados e considerados no desenvolvimento de elaboração das EPDs. 

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