PONTO DE VISTA
De que forma a atuação na Fiesp contribui para fortalecer a agenda da construção?
O sistema Fiesp exerce papel fundamental na articulação da cadeia produtiva da construção, aproximando indústria, infraestrutura, habitação, tecnologia e serviços especializados, como os programas de capacitação oferecidos pelo Sesi e pelo Senai. Também amplia a participação do setor nas discussões sobre políticas públicas, tributação e questões regulatórias que impactam diretamente o desenvolvimento econômico e a capacidade de investimento da construção brasileira.
Como avalia a participação dos representantes da Abcic junto ao Conselho Diretor do Sinaprocim?
A participação da Abcic, em particular no Sinaprocim, com o novo conselho deliberativo, a partir de junho deste ano – formado por empresários com novas ideias e experiências –, representa os diversos segmentos das entidades. Seus integrantes atuam nas discussões sobre assuntos importantes da cadeia produtiva, especialmente diante dos desafios atuais da construção. A atuação conjunta fortalece o debate técnico e favorece o desenvolvimento de soluções mais modernas, com redução de custos, tornando a construção industrializada mais competitiva.
Qual é a sua visão para o futuro da indústria nos próximos 10 anos?
Assim como entre 2000 e 2010, tivemos vários desafios; não sei se maiores ou menores. Projetamos e construímos 16 arenas com a qualidade mundial exigida. Buscamos lá fora o que não tínhamos: parceiros para preparar a infraestrutura, como rodovias, aeroportos etc. Também construímos vários aeroportos internacionais para receber os participantes e visitantes, o que foi extremamente difícil por não dispormos dessas tecnologias em um país com grande insegurança jurídica. Nos próximos 10 anos, os desafios serão muito maiores devido à insegurança política nacional e internacional, à necessidade de tecnologia, de recursos financeiros e de mão de obra intelectual e especializada. Logo, nossa missão é triplicar nossos esforços para o pleno desenvolvimento da construção civil e do Brasil.
Como tem sido o papel do Sinaprocim na articulação do setor diante dos desafios futuros?
O Sinaprocim atua como articulador político, técnico, institucional e jurídico de uma cadeia diversificada da construção. Nos últimos anos, concentramos esforços em temas relacionados à qualidade, normalização técnica, capacitação profissional, inovação e aperfeiçoamento do ambiente regulatório. Também participamos de iniciativas estratégicas, como os Programas Setoriais da Qualidade, os Programas de Avaliação da Qualidade, as Jornadas Setoriais de Baixo Carbono e as discussões relacionadas ao PBQP-H. Hoje, o papel de uma entidade setorial vai além da mera representação institucional. É preciso contribuir para a conformidade técnica, estimular boas práticas e fortalecer a competitividade da indústria. Por exemplo, o Prêmio Qualidade é um forte incentivo ao reconhecimento e ao desenvolvimento das indústrias no país.
A industrialização tem sido um tema de destaque nos principais fóruns de debate do setor da construção. Qual o papel do Sinaprocim para esse avanço? Onde residem os desafios e as oportunidades?
A industrialização é um caminho necessário para aumentar a produtividade, reduzir desperdícios e melhorar a previsibilidade das obras. O papel do Sinaprocim é apoiar esse avanço com base técnica e visão de longo prazo. Produtos como blocos, pisos, argamassas, tubos, lajes e elementos pré-fabricados contribuem diretamente para uma construção mais eficiente e racionalizada, quando associados a padrões de qualidade e desempenho conhecidos.