PONTO DE VISTA
De que forma o pré-fabricado de concreto pode contribuir para ganhos de produtividade e sustentabilidade? O setor está preparado para atender a uma eventual aceleração da construção industrializada no país?
Nós já estamos vivendo essa aceleração. O pré-fabricado de concreto contribui diretamente para ganhos de produtividade ao transferir etapas do canteiro para o ambiente industrial, permitindo maior controle, redução de desperdícios e melhor gestão dos prazos. Conforme já mencionado acima, o Brasil possui empresas qualificadas e experiências consolidadas nesse segmento.
Qual é a sua opinião sobre as ações da Abcic e do setor de estruturas, fachadas e fundações pré-fabricadas de concreto no estímulo à maior industrialização da construção civil?
A Abcic desempenha um papel relevante na promoção da industrialização da construção e na valorização dos sistemas pré-fabricados de concreto. Esses sistemas oferecem ganhos importantes em produtividade, controle dimensional, velocidade de execução e organização dos canteiros.
Como o senhor avalia a sustentabilidade na construção? Quais são os caminhos a serem percorridos para se ter uma construção cada vez mais sustentável?
A sustentabilidade precisa ser tratada de forma técnica e mensurável. Hoje, o debate envolve desempenho, durabilidade, redução de desperdícios, rastreabilidade e menor impacto ambiental ao longo do ciclo de vida dos materiais.
Quais são as principais estratégias adotadas para atingir a neutralidade de carbono nas próximas décadas?
A neutralidade de carbono exige uma combinação de estratégias. O primeiro passo é medir as emissões e conhecer a pegada ambiental dos processos produtivos. As Jornadas Setoriais de Baixo Carbono têm contribuído para estruturar inventários ambientais e criar referências comparáveis para os segmentos de produtos de cimento. Essa transição dependerá não apenas da indústria, mas, principalmente, de políticas públicas, financiamento e estímulos de mercado.
Na sua avaliação, quais são os maiores entraves — regulatórios, tecnológicos ou econômicos — para acelerar essa transição?
Os desafios existem nos três campos: regulatório, tecnológico e econômico. Essa aceleração da transição depende também da dedicação das entidades e dos agentes públicos.
Poderia comentar sobre a importância do Prêmio Qualidade para o setor e como a premiação tem influenciado o desenvolvimento das indústrias?
O Prêmio Qualidade é um incentivo para o fabricante produzir melhor, inclusive com o seu desempenho técnico e comercial verificado diretamente pelos clientes. Os principais atributos avaliados são a qualidade e o desempenho, o atendimento comercial e a assistência técnica. Mais do que reconhecer os vencedores, o prêmio cria referências para o mercado e estimula a evolução técnica e competitiva de toda a cadeia produtiva. Em agosto, teremos a divulgação dos vencedores.
Qual é a importância da normalização técnica para garantir a qualidade e a segurança nas obras que utilizam cimento e concreto?
A normalização técnica não diz respeito apenas ao Brasil, mas também às exigências e aos padrões mínimos de qualidade internacionais. É fundamental para garantir segurança, qualidade, confiabilidade e desempenho na construção. O Sinaprocim e o Sinprocim possuem longa atuação junto aos organismos de normalização e aos Programas Setoriais da Qualidade ligados ao Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade do Habitat (PBQP-H), contribuindo para combater a sonegação e fortalecer a conformidade técnica.