PONTO DE VISTA
Pela sua experiência, como ampliar a aplicação do UHPC nos países?
Pela minha experiência, certamente, é importante ressaltar o aspecto da inovação através da aplicação do UHPC. Mas, para que haja uma disseminação do material, é preciso contar com parcerias entres os diversos setores, ou seja, ter o apoio da academia, da indústria, das construtoras, dos escritórios de projeto e das autoridades governamentais. A parceria, o comprometimento e o interesse são fundamentais. Precisamos definir o desafio, que será superado com o auxílio do material. Então, realizar os investimentos necessários para que isso se concretize. Quando o mercado percebe os benefícios, compreende a solução, então, há a popularização.
Por que essa união do setor é tão importante?
A união do setor é fundamental porque uma grande empresa, em parceria com fornecedores, indústria de pré-fabricado de concreto, consultores e a academia pode fazer a aplicação do UHPC ser factível no país. A interação entre os indivíduos que convergem nos conceitos, promovendo o aprimoramento da discussão, contribui para que realmente os projetos aconteçam. A ideia chave é ter a certeza de que esse tipo de material pode ser aplicado no Brasil.
Como o UHPC tem sido usado no mundo?
O uso do UHPC no mundo tem progredido de forma gradual. Essa tecnologia tem ganhado espaço de formas diferentes nos paises. Isso porque o contexto é importante para sua aplicação. Se avaliamos o cenário europeu, o avanço se dá, principalmente, pela arquitetura. O material é apreciado por arquitetos, pois possui maior capacidade de tensão, mais robustez e a incorporação de fibras possibilita outros benefícios. Com isso, permite a criatividade dos projetos também pelos elementos serem mais esbeltos e leves. A Malásia é outro país que tem aplicado com constância o UHPC, especialmente para o desenvolvimento de estruturas de longo alcance. A indústria de pré-fabricados de concreto tem incentivado sua aplicação construção rápida dos empreendimentos e da infraestrutura. Em 2018, estive na Índia para um workshop sobre UHPC. Na época, disseram que o material era muito caro, cinco anos depois, eles começaram a utilizar em edifícios, em pontes e em aplicações para ter mais espaço, diminuindo a espessura das colunas. O fornecimento do UHPC tem sido feito por algumas indústrias, uma delas por um ex-aluno que viu a oportunidade de aplicação do país. No Brasil, o uso será diferente, porque precisa atender as necessidades do país, seja na área de edificações ou em infraestrutura. Sabemos que o material acelera construções, minimiza o risco de fissura e equaciona problemas dos empreendimentos.
E, nos Estados Unidos?
Nos Estados Unidos, o inverno tem castigado as pontes, cuja manutenção é bastante onerosa. Então, a ideia foi trazer o UHPC para vencer esse desafio, pois se continuasse com o concreto os problemas permaneceriam, enquanto o aço teria os problemas de corrosão. Por isso, que a aplicação nos Estados Unidos do material está concentrada em pontes e para as conexões de elementos pré-fabricados. Mesmo o custo inicial sendo mais caro, isso não impediu seu uso. O concreto representa em média 20% do custo do UHPC, enquanto o aço é até quatro vezes mais caro que o UHPC. Mas, continuam a usar o aço. Além disso, o UHPC possibilita novas aplicações, por exemplo, posso fazer estruturas maiores com um único vão, que poderão durar até duas vezes mais do que as estruturas de concreto. O Departamento de Transportes de Iowa tem utilizado uma pequeno percentual de seu orçamento para a aplicação da UHPC e o restante para outras estruturas. Mas, isso vai ser mais frequente no futuro.
Quais os desafios para um maior uso do UHPC?