ESPECIAL DIA DAS MULHERES
A construção civil vive um momento de profunda transformação, com as mulheres conquistando espaço, reconhecimento e protagonismo, e com o avanço das tecnologias digitais. Historicamente associado a um ambiente predominantemente masculino e a métodos tradicionais e processos mais conservadores, o setor tem compreendido que as mulheres têm contribuído de forma decisiva com talento, rigor técnico e visão inovadora, enquanto a incorporação mais acelerada de soluções tecnológicas aumenta a eficiência, reduz custos, amplia a segurança e eleva a qualidade das obras.
O avanço das tecnologias abre espaço para novas competências profissionais, ligadas à análise de dados, modelagem digital, automação e gestão de informações. Nesse contexto, a inovação tecnológica contribui para ampliar a diversidade de perfis profissionais no setor, favorecendo a participação feminina em atividades relacionadas à gestão digital de projetos, pesquisa tecnológica, análise de desempenho de edificações e desenvolvimento de soluções inovadoras. Com isso, cada vez mais engenheiras, arquitetas e pesquisadoras assumem papéis estratégicos na modernização da construção civil, contribuindo para um ambiente mais diverso e colaborativo.
De acordo com dados do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea), há mais de 240 mulheres atuando no setor em todo o país, o que representa cerca de 20% dos profissionais cadastrados no órgão. Nos últimos cinco anos, houve um aumento de 36% nos registros profissionais de mulheres.
A presença feminina na engenharia não representa apenas diversidade; traz novas perspectivas para a resolução de problemas complexos, amplia o olhar sobre os desafios urbanos e ambientais e fortalece a construção de soluções mais sustentáveis e inclusivas.
Em 2025, 11.455 novas mulheres garantiram emprego formal no setor da construção civil, conforme dados do novo Caged – Cadastro Geral de Empregados e Desempregados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). O total no ano representou mais de 13% das mulheres ocupadas nos canteiros de obras brasileiros.
Atualmente, as mulheres ocupam posições de destaque em universidades, centros de pesquisa, empresas de engenharia, órgãos públicos e entidades técnicas, atuando em áreas que vão desde infraestrutura e construção civil até tecnologia, energia e inovação. Dados do estudo Women in Business 2025: Impacting the Missed Generation apontam que as mulheres ocupam 36,7% das posições de comando no Brasil, índice superior à média mundial de 34%.
Nos centros de pesquisa e inovação, mulheres desenvolvem novos materiais, sistemas construtivos e tecnologias voltadas à sustentabilidade. Nas obras de infraestrutura, participam da concepção e execução de projetos que transformam paisagens urbanas e ampliam a qualidade de vida da população. Nas universidades, formam novas gerações de profissionais e produzem conhecimento científico que fortalece o desenvolvimento tecnológico do país.
Além das mulheres, as ferramentas digitais e sistemas inteligentes têm contribuído para redefinir a concepção, planejamento, execução e monitoramento em todo o ciclo de vida das edificações. Tecnologias como o Building Information Modeling (BIM), por exemplo, permitem integrar informações de arquitetura, engenharia e construção em um modelo digital tridimensional, facilitando a compatibilização de projetos, a previsão de conflitos técnicos e a tomada de decisões mais precisas.
Nesse contexto de transformação digital, a Inteligência Artificial (IA) desponta como uma das tecnologias mais promissoras para o futuro da construção civil. A aplicação de algoritmos avançados e sistemas de aprendizado de máquina permite analisar grandes volumes de dados gerados durante o planejamento e a execução de obras, identificando padrões e gerando previsões que auxiliam engenheiros e gestores na tomada de decisões estratégicas.