ARTIGO TÉCNICO
Carlos Gabos, engenheiro mecânico, instrutor e coordenador técnico para movimentação de cargas do Instituto Opus de Capacitação Profissional da Associação Brasileira de Tecnologia e Gestão de Equipamentos (Sobratema), diretor da Hoist Engenharia e coordenador na ABNT da Comissão de Estudo de Qualificação de Pessoas para Movimentação de Cargas com Equipamentos de Guindar (CE-099:010.001) do Comitê de Qualificação e Certificação de Pessoas (ABNT/CB-099)
Resumo
Palavras-chave: planejamento de içamento, estruturas pré-fabricadas, operação em tandem, guindaste, gestão de riscos.
As obras com o pré-fabricado de concreto têm crescido em todo o país. A aplicação do sistema construtivo resulta em mais produtividade, construções mais rápidas, canteiro de obras mais limpos e maior desempenho. Ao mesmo tempo, exige qualificação técnica e conhecimentos específicos inerentes ao sistema, que transforma o canteiro de obras em canteiro de montagem.
Neste sentido, a questão da montagem é essencial para a pré-fabricação de concreto. Além de ser uma etapa fundamental para a produtividade, qualidade e desempenho, há outro aspecto que deve ser ressaltado: a segurança. Desse modo, o artigo se propõe a abordar os principais aspectos relacionados ao planejamento da movimentação de cargas em obras com estruturas pré-fabricadas de concreto, com o objetivo de garantir um processo seguro, eficiente e produtivo, mitigando possíveis riscos e acidentes.
Ao realizar o planejamento, é possível identificar os riscos, implementar medidas de controle e realizar com assertividade, a partir da coleta de informações e dados sobre a carga, a seleção de equipamentos e acessórios mais adequados à operação, com a participação de profissionais qualificados, assegurando a integridade da estrutura e a segurança das pessoas, do entorno e dos bens.
Introdução: Gestão de Riscos e Planejamento Operacional
A movimentação de cargas com estruturas pré-fabricadas envolve riscos intrínsecos que não podem ser totalmente eliminados, o que exige uma gestão de riscos proativa. O planejamento de engenharia atua como a ferramenta essencial para a identificação antecipada de perigos, permitindo a implementação de medidas de controle que garantam a execução das operações em níveis de segurança aceitáveis. Dessa forma, a antecipação técnica — fundamentada na análise prévia de variáveis críticas — é o que assegura a integridade estrutural e a viabilidade operacional de todo o processo, prevendo fatores que possam comprometer a segurança dos envolvidos, a integridade da estrutura, meio ambiente, o cronograma e o custo global da obra.
Planejamento
O planejamento da movimentação de cargas em obras que utilizam elementos pré-fabricados constitui um processo dinâmico, progressivo e essencial, devendo anteceder a elaboração do projeto executivo. Essa antecipação permite que a obra seja concebida não apenas em seu estado final, mas também em suas fases intermediárias de montagem, possibilitando a identificação prévia de condicionantes que influenciarão diretamente a execução.
A análise antecipada dos fluxos de movimentação, das condições de acesso, das áreas de estocagem e das sequências de montagem é fundamental para prever fatores que impactarão o desempenho operacional. Esse processo também orienta a definição dos equipamentos e acessórios necessários, contribuindo para a otimização do tempo, dos recursos e da segurança no canteiro.
À medida que o empreendimento avança, o planejamento logístico passa a incorporar níveis crescentes de detalhamento técnico, ajustando-se às condições reais da obra, às atualizações de projeto, aos equipamentos disponíveis e às demandas operacionais. Na fase de execução, o planejamento é revisado e consolidado, considerando todas as alterações ocorridas e atendendo às exigências específicas do processo construtivo.