ARTIGO TÉCNICO
Entre os instrumentos fundamentais dessa etapa, destaca-se a Ordem de Carregamento, documento que organiza a expedição das peças na fábrica, garantindo que cheguem ao canteiro na sequência adequada de montagem. Essa organização evita movimentações desnecessárias, reduz interferências, otimiza o uso de equipamentos de içamento e contribui para a fluidez das operações.
Coleta de dados
É essencial que a coleta de dados para o planejamento seja realizada por um profissional capacitado.
Todos os parâmetros relativos ao site, à carga e aos equipamentos disponíveis, essenciais para o planejamento, devem ser coletados e formalmente definidos.
O checklist do plano de montagem, contido no manual Abcic, pág. 186, é um bom formulário para a coleta de dados.
A seguir, coloco um formulário que também pode ajudar nessa coleta de dados.


Dados da Carga.
O planejamento da operação deve sempre iniciar pela definição da carga a ser içada pelo guindaste. No caso de operações em tandem, é fundamental determinar qual parcela da carga caberá a cada equipamento, considerando a condição mais crítica ao longo de toda a operação.
Para a definição da carga real a ser içada pelo guindaste, devem ser aplicados fatores de contingência, de modo a garantir que os valores considerados no projeto estejam compatíveis com a carga efetiva da operação.
Um fator de contingência de peso (FC) deve ser aplicado majorando o peso da carga líquida e o peso.
Dos dispositivos especiais de içamento, para considerar as tolerâncias dos sistemas de fabricação e de pesagem, conforme segue.
Operação em tandem, cuidados:
Nas operações em tandem, quando se trabalha em dois ou mais guindastes com a mesma carga, deve-se definir qual parcela da carga caberá a cada equipamento, considerando a condição mais crítica ao longo de toda a operação.
Nesse tipo de operação, é fundamental a localização correta do centro de gravidade da carga. Para esse fim, algumas empresas adotam a aplicação de um fator de contingência referente ao centro de gravidade, que pode corresponder a 1,03 aplicado ao valor da carga, como forma de garantir maior segurança e compatibilidade entre o planejamento e as condições reais da operação. Essa contingência é de grande valia quando a operação vai ser feita com a carga na horizontal, pois se os pontos de pega não estão alinhados com a altura do centro de gravidade, a distribuição da carga pode variar significativamente.

CL = Carga Liquida;
CLG1 = Carga liquida no guindaste 1;
CLG2 = Carga liquida no guindaste 2;
d1 = distância horizontal do ponto de içamento do guindaste 1 ao centro de gravidade;
d2 = distância horizontal do ponto de içamento do guindaste 2 ao centro de gravidade;
CG = centro de gravidade da carga
Outro fator relevante a ser observado nesse tipo de operação, quando a carga permanece na posição horizontal, é a necessidade de que ambos os guindastes iniciem e conduzam o içamento de forma simultânea. Essa sincronização é fundamental para evitar a transferência indevida de carga entre os equipamentos.
Como exemplo, pode-se citar a situação em que um dos guindastes deposita a viga sobre o pilar enquanto o outro permanece com a carga suspensa, ocasionando uma redistribuição não prevista das cargas. O mesmo risco ocorre no início da operação, quando um guindaste inicia o içamento antes do outro, podendo gerar sobrecarga momentânea e comprometer a segurança da operação.