Associação Brasileira da Construção

Industrializada de Concreto

Industrializar em Concreto 38 - setembro de 2026

INDUSTRIALIZAÇÃO EM PAUTA

Pré-fabricado de concreto conquista projetos e obras de entretenimento

Empreendimentos como surf indoor, complexos dos rodeios, autódromos, centros de eventos, arenas esportivas e espaços urbanos de lazer e espaços na orla marítima, demonstram que. a industrialização em concreto vem assumindo protagonismo em projetos que exigem velocidade construtiva, grandes vãos, durabilidade e flexibilidade de uso

Para ele, o Surf Center evidencia uma transformação importante na construção industrializada. "Hoje, o sistema atende empreendimentos exclusivos, de alto padrão e forte apelo estético. O pré-fabricado passou a representar liberdade arquitetônica, sustentabilidade, inovação e versatilidade operacional.”

Já o Endless Surf, em Búzios (RJ), representa um marco para a construção industrializada em concreto, uma vez que a pré-fabricação de concreto foi levada ao elemento mais sensível de toda a operação: a câmara responsável pela formação das ondas. A solução exigiu um nível de precisão raramente alcançado em obras convencionais, tanto na fabricação quanto na montagem das peças, demonstrando a capacidade da indústria brasileira de atender a projetos com elevados requisitos geométricos, estruturais e de desempenho.

Segundo o engenheiro João B. da Silveira Filho, da Cassol Pré-Fabricados, responsável pelo projeto estrutural, o empreendimento foi concebido com uma estrutura integralmente desenvolvida em concreto armado pré-fabricado para atender às rigorosas exigências da tecnologia de geração de ondas. "O projeto exigia elevado controle geométrico, desempenho estrutural e estanqueidade, requisitos fundamentais para o funcionamento da câmara de formação de ondas”, conta. 

A estrutura é composta por 48 câmaras, distribuídas em cinco módulos independentes, formando um conjunto com aproximadamente 160 metros de comprimento e 10,7 metros de altura. Para sua execução foram empregados elementos estruturais lineares, planos e tridimensionais, alguns com peso de até 30 toneladas e dimensões máximas próximas de 7,5 metros.

O empreendimento demandou o desenvolvimento de processos específicos para a produção de componentes com geometrias complexas e tolerâncias dimensionais rigorosas. Diversos elementos precisaram ser seccionados durante a fabricação para facilitar o transporte e a montagem. Posteriormente, essas peças foram solidarizadas em ambiente industrial por meio de gabaritos especialmente desenvolvidos para garantir o perfeito alinhamento entre os componentes. Além das solidarizações realizadas na fábrica, parte das ligações estruturais foi executada no próprio canteiro de obras.

Silveira Filho explica que essas conexões foram concebidas para reproduzir o comportamento de uma estrutura monolítica, condição indispensável para garantir o desempenho hidráulico e, principalmente, a estanqueidade da câmara de ondas. "O comportamento estrutural precisava ser equivalente ao de uma estrutura moldada continuamente, garantindo total confiabilidade ao sistema."

Para alcançar esse resultado, foram utilizadas fôrmas metálicas tridimensionais, pistas planas de fabricação, dispositivos especiais de montagem e gabaritos desenvolvidos exclusivamente para o empreendimento. Também foi necessário estabelecer procedimentos específicos para saque das peças, transporte, tombamento, içamento e montagem, etapas que exigiram controle rigoroso devido às dimensões e ao peso dos elementos.

Se, em muitas obras, o principal desafio da pré-fabricação está relacionado ao prazo, no Endless Surf a variável crítica foi a precisão. Cada elemento estrutural precisava chegar à obra com dimensões rigorosamente controladas para permitir o perfeito encaixe entre os módulos e garantir a continuidade estrutural da câmara. Outro aspecto sensível foi o posicionamento das esperas de ligação entre as peças, cuja precisão era determinante para evitar interferências durante a montagem. "A necessidade de controle dimensional era extremamente elevada. Pequenos desvios poderiam comprometer tanto o encaixe dos componentes quanto o desempenho estrutural do conjunto”, destaca Silveira Filho.

Durante a montagem, a complexidade aumentou ainda mais. Os elementos foram posicionados lateralmente, utilizando dispositivos temporários de estabilização até a execução das ligações definitivas em campo. Essa etapa exigiu sincronização absoluta entre projeto executivo, fabricação, logística e equipe de montagem. 

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