INDUSTRIALIZAÇÃO EM PAUTA
“O plano de Rigging garante que as peças de uma obra cheguem ao local de instalação sem danos e sem comprometer a estrutura do empreendimento. Garante também o correto posicionamento no local de instalação definitivo”, explica Auler Neto.
A elaboração do plano de rigging exige o conhecimento das dimensões, do peso e do centro de gravidade de cada peça. Deve também ser avaliado se os pontos de içamento são adequados e suficientemente resistentes ao porte da peça. Junto com estas informações, o profissional busca a melhor posição do guindaste e da carreta, de modo a possibilitar o içamento com o mínimo de interferências externas.
“Fatores externos, como chuva e vento, são importantes na avaliação e também limitantes para a execução da operação, que deve ser interrompida na presença destes fatores acima do previsto no estudo. Dependendo do formato da peça, a ação do vento pode movimentá-la, deslocando o centro de gravidade e podendo ter consequências graves, inclusive o tombo do guindaste”, destaca Auler Neto.
A amarração das peças com cabos de aço, cintas e demais elementos de içamento é fundamental, assim como verificar se esses elementos estão em boas condições, são certificados e bem dimensionados. “Os ganchos dos guindastes devem ser bem dimensionados, certificados e contar com trava de segurança para garantir que os cabos de aço ou cintas não escapem do gancho durante a manobra”, comenta o vice-presidente da Sobratema, que salienta que para manobras de içamento é importante ter um sinaleiro orientando o operador do guindaste no ponto de carregamento e também no local de instalação de cada peça, que deverá ter uma corda, ou outro elemento que possibilite aos operários posicionar as peças no ponto exato de fixação.
Para uma operação segura, uma questão importante, na visão de Auler Neto, é conhecer o projeto de cada peça, e elaborar o plano de içamento, para depois dimensionar e contratar o guindaste. Caso isso não seja possível, devido à existência de um determinado guindaste na obra, deverá haver uma interface entre a engenharia e a produção para que as peças a serem utilizadas sejam dimensionadas de modo que possam ser erguidas com segurança pelo guindaste existente, conforme estabelecido no plano de Rigging.
“Em uma operação de Rigging não pode haver improvisações, o plano deve ser executado exatamente como previsto, por mais simples que aparenta ser uma operação, mesmo nos casos de manobras repetitivas onde pode haver uma tendência a flexibilização ou relaxamento no cumprimento estrito dos procedimentos estabelecidos para as operações. São nestes momentos que ocorrem os acidentes”, alerta Auler Neto, que complementa que no cálculo da carga deve ser levado em conta não somente o peso da peça, mas também do gancho, dos elementos de fixação e do cabo de aço suspenso na lança do guindaste.
Em relação ao dimensionamento do equipamento, além dos aspectos referentes à capacidade de carga (peso da peça, altura de içamento e raio do centro do guindaste), é muito importante conhecer as condições técnicas do equipamento, verificando se as manutenções estão em dia, eventuais vazamentos, trincas estruturais ou outros elementos que possam colocar em risco a operação.
“Existem operações em que, fora o içamento, é preciso deslocar o guindaste com a cara suspensa. Nestes casos, a atenção é redobrada e o piso deve estar perfeitamente nivelado e compactado. Em algumas situações, para garantir a estabilidade do solo, colocam-se chapas de aço grossas no piso por onde o guindaste se deslocará. É preciso ter precaução ao colocar peças de madeira entre os estabilizadores e o solo, chamadas de “MATS”, no posicionamento dos estabilizadores hidráulicos, pois aumentam a área de contato e o atrito entre o estabilizador e o solo. O guindaste tem que estar perfeitamente nivelado”, adverte Auler Neto.