INDUSTRIALIZAÇÃO EM PAUTA
Freitas ainda menciona, entre outros pontos importantes, a desforma. “Ao produzirmos as peças, o primeiro momento em que precisamos avaliar com cuidado é a desforma, com o dimensionamento do içador e das necessidades do concreto na idade da desforma. Deve-se ainda avaliar a geometria da peça e como ela é produzida, buscando recomendações que não gerem, por exemplo, efeito de sucção, nem resultem em esforços maiores do que os previstos”, detalhou.
No caso do estoque, é preciso detalhar como as peças devem ser estocadas, de modo a não se deformarem durante o período de estocagem. “Numa situação limite, podemos ter movimentação das peças no estoque, seja por apoios indiretos, gerando esforços maiores do que a situação final da peça, seja por um sistema de travamento de movimentação que permita movimentação em caso de evento externo. Nestes casos precisamos criar dispositivos que limitem os problemas no caso destas situações externas anormais”, afirmou Freitas,
Na montagem propriamente dita, a avaliação ocorre nos momentos em que as peças ainda não têm as ligações concluídas e há esforços – como o vento, por exemplo – que exigem dispositivos que as estabilizem nessa situação transitória, seja com gabaritos metálicos, seja com cimbramentos.
Sobre ligações, Freitas reforça que são fundamentais para o funcionamento conjunto e, dependendo de como forem definidas, invalidam o modelo considerado. “Assim, o dimensionamento das ligações deve ser realizado com base nos esforços obtidos no modelo final. É importante considerar a questão da durabilidade da ligação, que, por não ser muitas vezes acessível, pode conduzir a perda de eficiência num prazo inferior à vida útil da estrutura”, pondera.
Em relação a estrutura final e uso, além do dimensionamento para o estado limite de utilização e de serviço, é pensar nas possibilidades de uso, quando entra a questão da integridade estrutural. Neste sentido, Freitas considera que pode ocorrer uma intervenção que danifique uma parede e que, nessa situação, haja detalhamento que mantenha a estabilidade da estrutura, mesmo por um tempo, o que permita uma intervenção para restabelecer a conformidade.
Plano de Rigging
A segurança da montagem também passa pelo planejamento desta etapa, que determina a sequência de instalação dos elementos, os equipamentos de içamento necessários, as condições de estabilidade provisória e a organização do processo de montagem.
Dentro desse contexto, o diretor técnico da Abcic reitera que o plano de rigging desempenha papel fundamental, pois estabelece tecnicamente como será realizado o içamento de cada peça — incluindo capacidade e posicionamento dos guindastes, acessórios de içamento, ângulos dos cabos, pesos e raio de operação. “Esse planejamento reduz significativamente o risco de acidentes e aumenta o controle e a segurança da operação de montagem”, pontua.
O engenheiro Paulo Oscar Auler Neto, vice-presidente da Associação Brasileira de Tecnologia e Gestão de Equipamentos (Sobratema), esclarece que o plano de Rigging é o estudo que garante que as operações de içamento das peças pré-fabricadas, estruturas metálicas, painéis de fachada, vidros e todos os demais elementos que compõe uma obra sejam levados do solo até o local de instalação em total segurança, não somente para os operários, como também para os equipamentos, empreendimentos e elementos de uma obra. Ele deve ser elaborado para as operações em nível de solo e para os içamentos em altura.
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