ABCIC EM AÇÃO
Além disso, empresas com histórico de inadimplência tributária, conhecidas como devedoras contumazes, tendem a se tornar parceiras menos atrativas em cadeias produtivas que dependem do crédito fiscal.
A reforma também prevê a implementação do chamado split payment, um sistema que separa automaticamente o valor do tributo no momento da transação financeira. Nesse modelo, o imposto é transferido diretamente ao governo no momento do pagamento, enquanto a empresa recebe apenas o valor líquido da venda.
A tecnologia, que não será implementada no curto prazo, conforme explicaram as advogadas, trará efeitos positivos, como a redução dos riscos de inadimplência fiscal e maior segurança na apropriação de créditos tributários. Por outro lado, pode gerar impactos relevantes no fluxo de caixa das empresas, exigindo revisões na gestão financeira e nas políticas de pagamento e de recebimento.
Na avaliação de Victoria, com a reforma, a carga tributária passará a ser destacada de forma mais transparente nas operações, tornando mais visível o peso dos impostos nos preços finais. “Esse cenário exigirá a revisão das estratégias de formação de preços e das margens das empresas, além de decisões sobre o repasse — ou a absorção — dos impactos tributários.”
Os contratos de longo prazo também precisarão incorporar cláusulas específicas para lidar com a transição tributária, como mecanismos de reequilíbrio econômico-financeiro e ajustes automáticos de preços.
Segundo Isabella, a reforma também tende a incentivar mudanças nos modelos de negócios, com maior atenção à estrutura das cadeias produtivas, à separação de escopos de serviços e à integração entre os processos de orçamento, faturamento e recebimento. “As empresas que começarem a se preparar desde já terão mais condições de transformar o período de transição em uma vantagem competitiva. A reforma é inevitável. O que diferencia as empresas é o nível de preparação para lidar com esse novo cenário tributário”, concluiu.
Caderno de Dados Setoriais

Durante o Abcic Networking XX, a Abcic lançou o Caderno de Dados Setoriais, que reúne a Sondagem do Setor de Pré-Fabricados de Concreto. O estudo foi apresentado pela economista Ana Maria Castelo, coordenadora de Projetos do FGV Ibre, que ressaltou a importância da participação das empresas associadas na elaboração do material.
“A contribuição de todos é fundamental para que o setor tenha dados sólidos que mostrem sua realidade e sua representatividade na cadeia da construção civil no país”, afirmou.
A sondagem traz informações sobre o perfil das indústrias, o desempenho recente e as expectativas para os próximos anos. Em 2024, o setor registrou um volume de produção de pré-fabricados superior a 716 mil m³. O número de empregados cresceu 10,5% em relação ao ano anterior, totalizando 8.560 profissionais. Já as vendas de pré-fabricados tiveram uma expansão de 9,6% em relação a 2023, atingindo mais de 880 mil m³.
“O número de empregados cresceu após três anos de estabilidade e houve uma melhora nos negócios em 2024”, analisou a economista. Segundo ela, os dados estão em sintonia com o desempenho do setor da construção, cujo PIB cresceu 4,35% naquele ano.
Para 2026, mais de 70% dos respondentes projetam aumento no volume de produção, e a maioria espera uma expansão de até 10%. Esse percentual é superior à estimativa de crescimento prevista pelos respondentes para 2025, de cerca de 65%.