ABCIC EM AÇÃO
Segundo Íria, a industrialização da construção também favorece a adoção de tecnologias digitais, como o BIM, que permite integrar projeto, produção e gestão empresarial. “O setor foi um dos primeiros a adotar o BIM de forma ampla, justamente porque essa tecnologia se integra diretamente aos processos de fabricação e à automação das fábricas”, destacou.

Entre os benefícios do programa estão maior organização interna, melhoria contínua dos processos, redução de retrabalhos, padronização operacional e fortalecimento da imagem institucional das empresas. Para os clientes, o Selo representa maior segurança e confiabilidade na execução das obras.
Outro tema trazido por Íria foi a importância do Manual de Montagem da Abcic, que complementa as normas técnicas e orienta as etapas de transporte, movimentação e montagem das peças no canteiro de obras — fases que concentram grande parte dos riscos operacionais.
“A segurança é prioridade em nosso setor. Por isso, desenvolvemos essa publicação, pois todos os profissionais que trabalham com o pré-fabricado precisam conhecer as etapas do sistema construtivo, sua normalização e seus processos”, explicou Íria, acrescentando que outro fator importante é a necessidade de planejamento, especialmente na interface com os subsistemas da obra.
A Abcic também iniciou a implementação das Declarações Ambientais de Produto (DAPs) no setor. Na avaliação de Íria, as empresas que já possuem o nível III do Selo terão mais facilidade para avançar nesse processo, uma vez que há contratos que já exigem esse tipo de documento. “Não é possível reunir todas as informações necessárias para um inventário dessa natureza sem uma organização estruturada de dados”, ressaltou.
“A excelência é uma busca global e permanente. É compromisso, envolve gestão e está associada à inovação e ao progresso. É resultado de método, controle e melhoria contínua, elevando a eficiência”, definiu Íria.

Na sequência, Carlos Gennari, sócio-diretor da Leonardi, compartilhou a experiência prática de implementação do Selo de Excelência Abcic em sua empresa, iniciada pelo nível I. “Por muito tempo permanecemos nesse nível, mas o crescimento da empresa trouxe novos desafios operacionais, especialmente diante do aumento da capacidade produtiva e da quantidade de contratos simultâneos. Foi então que buscamos evoluir ainda mais, migrando para o nível II em 2013 e para o nível III em 2014”, contou.
Nesse contexto, o programa de certificação contribuiu para estruturar processos e consolidar uma cultura organizacional baseada nas melhores práticas de qualidade, segurança, gestão e meio ambiente. Segundo Gennari, o Selo nunca foi encarado apenas como uma ferramenta de marketing, mas como um instrumento de gestão e de melhoria contínua.
“O mais importante é que os requisitos façam parte do dia a dia da empresa. Por isso, ninguém da equipe sabe o período em que ocorrerá a auditoria, pois queremos que ela confirme o que já é prática”, afirmou Gennari.