ABCIC EM AÇÃO
Durante sua participação, ele ressaltou que a qualidade no setor está diretamente relacionada à gestão de riscos. “Não podemos esquecer que trabalhamos com estruturas. Um erro pode acarretar consequências muito graves. Nossa responsabilidade é grande porque, além dos processos de engenharia, fabricação, logística e montagem, precisamos considerar também o uso futuro do empreendimento ou da infraestrutura. Sem compromisso com a qualidade, dificilmente uma empresa terá sustentabilidade”, disse.
Para Gennari, a crescente procura por sistemas construtivos industrializados está ligada à organização do setor, que, inclusive, antecipou tendências ao incorporar aspectos ambientais no nível III do Selo, quando ainda não se falava amplamente em sustentabilidade, ESG ou mudanças climáticas.
A industrialização da construção exige um alto nível de responsabilidade, uma vez que o desempenho da estrutura impacta diretamente o sucesso do empreendimento do cliente. “Se falharmos, todo o empreendimento pode ser prejudicado, com impactos no prazo, no custo e na qualidade”, destacou Gennari.
Em sua avaliação, o Selo de Excelência e o Manual de Montagem são dois instrumentos fundamentais para garantir a qualidade e a segurança. Além disso, o Selo tem auxiliado a Leonardi nas novas contratações, pois o treinamento dos profissionais é realizado com base nas diretrizes do programa. “Ter processos controlados, informações compiladas, registradas e analisadas fomenta a melhoria contínua. Por isso, ter o Selo nos garante resultados”, reiterou.
“Parte da credibilidade de nossa empresa se deve à qualidade e à segurança do que nos propomos a fazer como pré-fabricadores, e o Selo de Excelência nos ajudou sobremaneira a alcançar esse reconhecimento. Às vezes, quando pensamos no crescimento das empresas, esquecemos que qualidade e segurança geram resultados. Por isso, é fundamental valorizarmos esse programa de certificação da Abcic, que certamente terá novos desdobramentos com as DAPs”, finalizou Gennari.
Conformidade
O Webinar Series também contou com a palestra de Anthony de Oliveira, especialista de produto da Belgo Arames, com o tema “Da Conformidade à Excelência: a importância do aço para protensão nas estruturas protendidas”.
O aço para protensão está amplamente presente em aplicações como lajes alveolares, vigotas, estacas, postes, vigas, telhas W, terças e dormentes ferroviários, representando um importante avanço tecnológico em relação ao concreto armado convencional.
“O desempenho das estruturas protendidas depende da aplicação correta dos materiais, especialmente dos aços para protensão. A excelência só é alcançada quando há qualidade, especificação adequada e integridade do material”, afirmou Oliveira.
Os aços utilizados devem atender às normas técnicas brasileiras, como a ABNT NBR 7483, que trata das cordoalhas de aço para estruturas de concreto protendido, e a ABNT NBR 7482, referente aos fios de aço para essa aplicação. Também são importantes certificações como ISO 9001, ISO 14001 e ISO 45001, além da Declaração Ambiental de Produto (DAP).
Nesse contexto, Oliveira ressaltou a diferença entre um produto que apenas atende à norma e outro efetivamente certificado. “Quando falamos em certificação, existe a validação por terceiros, com frequência definida de ensaios e controle rigoroso da amostragem, garantindo a plena conformidade com os requisitos técnicos”, explicou.
Entre os ensaios essenciais para garantir o desempenho do material estão os testes de tração e de relaxação, que avaliam características mecânicas fundamentais, como o módulo de elasticidade e o comportamento do aço ao longo do tempo. “A relaxação é muito importante para a vida útil da estrutura, pois é um dos principais fatores que influenciam a perda de protensão ao longo do tempo”, esclareceu Oliveira.