ABCIC EM AÇÃO
O escritório tem realizado pesquisas para avaliar até que ponto o pré-fabricado de concreto atende ao quesito de fechamento. “Se a resposta for positiva quanto a prazo e custo, há uma oportunidade importante para o setor”, comentou Mestieri.
Por fim, destacou que, em ambientes onde o pré-fabricado ainda não é amplamente utilizado — como entre incorporadores de edifícios de alto padrão —, o setor pode começar introduzindo o sistema em soluções de fechamento, contribuindo para uma mudança de percepção e abrindo caminho para a adoção em outros elementos.
O arquiteto Paulo Eduardo Fonseca de Campos, professor da FAU/USP, reiterou a importância de destacar os atributos da construção industrializada, em vez de compará-la à construção convencional. Segundo ele, não é necessário justificar que o sistema industrializado seja mais sustentável, pois a redução de desperdícios já faz parte de sua própria essência.
“A pré-fabricação transforma o canteiro de obras em um canteiro de montagem. O objetivo é transferir o maior número possível de atividades para o ambiente fabril, que é altamente controlado e mais seguro para o trabalhador. Quando se fala em coordenação modular, a precisão começa na fábrica, e a máxima racionalização da montagem vem dos projetos”, explicou.
Durante sua apresentação, o professor apresentou um panorama da pré-fabricação no mundo, destacando sua evolução e a capacidade atual de atender a diferentes tipologias de projeto, beneficiando tanto os aspectos arquitetônicos quanto os estruturais, além do papel da tecnologia nesse avanço.

“O sistema construtivo tem evoluído constantemente e, por isso, tem sido aplicado em diversos setores. Um exemplo é o Prêmio Obra do Ano em Pré-Fabricados de Concreto, que, a cada edição, surpreende com projetos inovadores e relevantes”, afirmou Campos, que integra o júri desde a primeira edição.
No âmbito do programa Construa Brasil — do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços —, que visa melhorar o ambiente de negócios da construção civil e incentivar a modernização das empresas, Campos informou que, em abril, será lançado um curso EAD sobre construção industrializada.
“O governo tem condições de fomentar a construção industrializada e uma demanda importante do setor, a isonomia tributária e fiscal, tende a ser atendida com a reforma tributária”, afirmou, destacando também o papel de entidades como a Abcic nesse processo.
Ao final, houve um debate entre os painelistas, moderado pela engenheira Íria Doniak, que reforçou a importância da integração entre arquitetos, engenheiros e demais disciplinas de projeto, abordando temas como estruturas híbridas e compatibilização. “Nosso sistema construtivo tem grande potencial, não apenas isolado, mas também quando combinado a outros sistemas. É uma solução versátil, capaz de integrar-se inclusive ao concreto moldado in loco, ampliando as possibilidades de aplicação”, destacou.
Outro ponto relevante é a inovação tecnológica que, segundo Íria, permite ao setor enfrentar desafios tanto arquitetônicos quanto estruturais. “O desenvolvimento de novos materiais é fundamental. Já utilizamos concretos de alto desempenho e ultra-alto desempenho como o UHPC, o que amplia significativamente as possibilidades de aplicação”, acrescentou.
Tecnologia
O painel “Tecnologia e Verticalização” foi iniciado pelo engenheiro Camilo Mizumoto, da Mizumoto Engenharia, que abordou aspectos relacionados ao concreto autoadensável, destacando propriedades como capacidade de preenchimento, habilidade passante e alta resistência à segregação.