Associação Brasileira da Construção

Industrializada de Concreto

Industrializar em Concreto 37 - abril de 2026

ABCIC EM AÇÃO

2º SEMPRE apresenta o potencial de crescimento da aplicação de pré-fabricados de concreto no Centro-Oeste brasileiro

“A dificuldade não está em desenvolver o traço, mas em garantir sua repetibilidade, ou seja, que o concreto apresente comportamento homogêneo e desempenho consistente”, explicou.

Em sua apresentação, abordou as contribuições das adições minerais, como a sílica ativa e o metacaulim. Entre os benefícios associados à sua finura, destacou a melhoria no empacotamento das partículas, o aumento da coesão da mistura e a redução da segregação. Já do ponto de vista pozolânico, ressaltou o ganho de resistência à compressão ao longo do tempo e o aumento da durabilidade.

Mizumoto também enfatizou a importância de estudos prévios dos materiais para ajustes na argamassa, no controle da água e no teor de finos, além da influência das condições de concretagem e do clima. “Ensaios em laboratório são diferentes daqueles realizados em escala real”, alertou.

A indústria de pré-fabricados tem investido em equipamentos para produção de concretos de alto desempenho e tecnologias como concretos vibrocompactados, o que aumenta a eficiência da mistura, seja com misturadores de alta performance ou caminhões betoneira. No entanto, ele alertou que o uso de betoneiras pode demandar maior consumo de cimento e maior tempo de dispersão.

Em relação à maturidade do concreto — que relaciona tempo, temperatura e resistência —, destacou sua importância para reduzir o tempo de desforma e desprotensão, otimizando o ciclo produtivo.

Para tratar da tecnologia de concreto reforçado com fibras, a engenheira Lígia Doniak, da EGT Engenharia e coordenadora de Projetos Especiais de Tecnologia da Abcic, avaliou que as fibras virão a substituir, em parte ou totalmente, as armaduras, contribuindo para a redução das emissões de gases de efeito estufa e do uso de materiais. 

“Muitas decisões em termos de projeto e produção caminham rumo à sustentabilidade. O modo como pensamos e agimos não é suficiente para alcançar a descarbonização. Então, os novos materiais são importantes para atingirmos as metas nos próximos anos”, explica Ligia. O relatório da McKinsey aponta a industrialização e os novos materiais como os primeiros pontos de atenção para tecnologias disruptivas; o GCCA (Global Cement and Concrete Association) afirma que, para reduzir o impacto ambiental, será necessário aumentar a eficiência no projeto e na construção. No caso do Roadmap da International Federation for Structural Concrete (fib), a pré-fabricação e o concreto reforçado com fibra estão incluídos no primeiro estágio para atingir o net zero.

No Brasil, segundo o Caderno de Dados Setoriais da Abcic, 78% das empresas aplicam o concreto autoadensável e, em 64% das indústrias respondentes, a produção é realizada em concreto autoadensável, enquanto 56% já estão em fase de estudo para implementação do concreto reforçado com fibras, mais especificamente, com o UHPC.

Ao longo de sua palestra, Ligia explicou os tipos de fibra e suas aplicações no concreto — poliméricas, de polipropileno, de vidro, naturais e de aço —, sendo que a última vem ampliando sua aplicação por ter função estrutural, além de ser a única habilitada para uso estrutural. “É importante que a aplicação da fibra seja feita de acordo com a necessidade e as características do projeto, pois a fibra altera o comportamento do concreto, podendo elevar a resistência, otimizar a peça e reduzir a seção”, advertiu.

O uso de novos materiais, como o UHPC e o concreto reforçado com fibras, traz benefícios para as estruturas pré-fabricadas de concreto, como elementos mais esbeltos, otimização da eficiência por seção transversal, maior vida útil, menor redução de manutenção e elementos mais leves, o que influencia a logística e também a arquitetura. 

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