ABCIC EM AÇÃO
“O material não vai se comportar como concreto armado, uma vez que as propriedades são diferentes, o que gera novas possibilidades, especialmente em combinação com a protensão, como no caso de vigas, possibilitando eliminar estribos, quando devidamente projetado e executado. Sua aplicação vai ser maior na pré-fabricação de concreto, pelas características da indústria”, comentou Ligia, que ainda trouxe informações sobre sua dissertação de mestrado, que reuniu uma base de dados de vários ensaios sobre concreto protendido reforçado por fibra e citou outras aplicações do concreto reforçado com fibras em âmbito internacional.
Verticalização
O engenheiro Marcelo Cuadrado, diretor de Engenharia da Leonardi Construção Industrializada, apresentou referências sobre o tema e refletiu sobre a definição de edifícios altos, com base no Council on Tall Buildings and Urban Habitat (CTBUH), que considera um edifício alto quando sua altura impacta significativamente a operação, o projeto e a percepção urbana ao seu redor.
Para a construção com pré-fabricados de concreto, Cuadrado destacou a importância do domínio de temas como concepção estrutural, situações transitórias, estabilidade global, ligações, logística, protensão e concretos de alta resistência. Também abordou os sistemas estruturais concebidos pelo engenheiro Fazlur Rahman Khan para edifícios altos, bem como os arranjos estruturais aplicados à pré-fabricação.

Entre os cases apresentados, citou o Hotel Terroà, com 50 metros de altura e 13 pavimentos, localizado em Americana (SP), construído integralmente com pré-fabricados — shear walls, pórticos e lajes alveolares — e montado com o uso de guindaste. Outro exemplo foi o The Zalmhaven Tower, na Holanda, com 215 metros de altura e 65 pavimentos, também executado com 100% de pré-fabricados, utilizando um sistema estrutural com contraventamento em “shear wall”.
Um aspecto interessante desse edifício é o sistema construtivo adotado, conhecido como “galpão elevado”, que funciona como uma espécie de fábrica no topo da edificação, com pontes rolantes responsáveis pela montagem dos pavimentos.
Outra obra apresentada foi o Avenue South Residence, em Singapura, com 192,3 metros de altura e 56 pavimentos. A edificação é composta por 3.034 módulos em PPVC (Prefabricated Prefinished Volumetric Construction), método em que os módulos são produzidos com acabamento completo e posteriormente montados e conectados na obra. O sistema estrutural combina um núcleo de rigidez moldado in loco com shear walls formados pelas paredes dos módulos.
“Singapura incentiva fortemente a modulação e a industrialização”, destacou Cuadrado. Entre os benefícios desse modelo, citou a redução da dependência de mão de obra estrangeira, aumento da produtividade, maior segurança no trabalho, melhoria da qualidade final, além da redução do ruído, do melhor desempenho térmico e acústico, maior durabilidade e redução de custos.
O engenheiro Augusto Guimarães Pedreira de Freitas, da Pedreira Ônix e Pedreira Granito, salientou o potencial do painel de concreto para o uso em edificações verticais no país. “Existem inúmeros casos no mundo, sendo um dos mais icônicos, o hotel Bella Sky, em Copenhague, na Dinamarca, mas existem muitos edifícios com a aplicação de painéis no país. Em São Paulo, por exemplo, existe uma fila de espera, porque apenas duas empresas fornecem os painéis de fachada. Isso significa que as empresas deveriam investir neste segmento, quanto mais empresas, mais obras”, explicou.