ABCIC EM AÇÃO
A ABCIC contou com um estande institucional, que recebeu associados, fornecedores, clientes, e promoveu um seminário sobre viabilidade e avanços da pré-fabricação em concreto no Brasil e na América Latina, com a participação de quase 150 profissionais do setor
Rodrigo Sciaraffia: "Somos os responsáveis por conhecer as dores de nossos clientes e mostrar que essas barreiras podem ser ultrapassadas. Mas, para isso, precisamos abordar a cadeia de valor."
Freitas também falou sobre os graus diferentes da industrialização e refletiu que se o mercado caminhar para um conceito de projetar pensando no construir na racionalização e na padronização, haverá mais oportunidades para a pré-fabricação em concreto. Afirmou ainda que não se pode ter uma visão fechada sobre o que é o ideal na construção, uma vez que o setor está sempre em evolução. “Temos que rever nossos pensamentos de tempos em tempos”, pontuou.
Os dois palestrantes afirmaram que o modelo de negócios do contratante é importante para definir o grau da industrialização. “Não é custo de construção. Precisamos saber, qual o prazo, custo, se há problema com a mão de obra, o que o contratante necessita e o que lhe convém”, disse Sciaraffia, que reforçou ainda a importância de se ter um trabalho colaborativo para buscar novos mercados, uma vez que em muitos países a construção convencional ainda é amplamente utilizada, enquanto a industrialização de concreto possui uma pequena fatia do mercado.
Augusto Pedreira de Freitas: "Mesmo para um edifício que não é do segmento econômico, há grandes vantagens se faço meu modelo de negócio para o painel portante. Em 16 meses, é possível entregar um empreendimento, economizando tempo e indiretos."
Já Freitas destacou que existem muitos modelos de negócio para serem analisados e que não se pode ser taxativo sobre uma solução única. “Mesmo para um edifício que não é do segmento econômico, há grandes vantagens se faço meu modelo de negócio para o painel portante. Em 16 meses, é possível entregar um empreendimento, economizando tempo e indiretos. Se os compradores utilizarem a poupança para fazer a aquisição do apartamento, talvez 16 meses não seja bom. Mas, se meu modelo de negócio é 24 meses, não preciso começar no mês zero a construção, mas no mês oito. Essa estratégia e essa visão de mercado são o que viabilizarão os painéis portantes nos residenciais”, exemplificou.
Em sua apresentação, Freitas trouxe a reflexão sobre as diferenças entre as edificações, mas a possibilidade de se desenvolver alguns padrões, como por exemplo, nos banheiros, o que elevaria a possibilidade de industrialização. No caso dos painéis portantes, ele sugeriu que os módulos tivessem uma padronização de 5 cm por 5 cm, com submódulos de 2,5 cm e 2,5 cm. Com isso, haveriam formas que atenderiam às necessidades do mercado. “Seria basicamente como na indústria automotiva, que criou o conceito de plataforma modular, onde há seções que não mudam e outras que seguem regras e conceitos”, disse Freitas, que acrescentou que esse tipo de conceito mantém a qualidade do empreendimento e contempla os requisitos arquitetônicos do projeto, além de haver um ganho de escala e de peças industrializadas.
Profissionais do setor da construção se reuniram para acompanhar as palestras e o debate do Seminário da ABCIC
Assim como Sciaraffia rememorou sua trajetória no setor, Freitas comentou sobre sua história e de seu pai, o arquiteto Antônio Carlos Lima Pedreira de Freitas, um entusiasta da pré-fabricação de concreto e responsável por trazer da Colômbia e da Venezuela os painéis portantes na década de 1970. Esse sistema recebeu um impulso com o Programa Minha Casa Minha Vida, tanto é que, em 2010, havia sete usinas de pré-fabricado de concreto em operação para fabricação de painéis portantes e o apoio de grandes construtoras. Mas, depois o programa mudou, as construtoras saíram de cena e as usinas foram vendidas. “Essa descontinuidade é péssima para os negócios”, enfatizou.