Associação Brasileira da Construção

Industrializada de Concreto

Industrializar em Concreto 38 - setembro de 2026

INDUSTRIALIZAÇÃO EM PAUTA

Pré-fabricado de concreto conquista projetos e obras de entretenimento

Empreendimentos como surf indoor, complexos dos rodeios, autódromos, centros de eventos, arenas esportivas e espaços urbanos de lazer e espaços na orla marítima, demonstram que. a industrialização em concreto vem assumindo protagonismo em projetos que exigem velocidade construtiva, grandes vãos, durabilidade e flexibilidade de uso

Para superar essa limitação, foi desenvolvido um rigoroso planejamento logístico, associado a um cronograma de fornecimento continuamente alinhado com o cliente. A estratégia permitiu manter o fluxo de entrega das peças de forma organizada, assegurando a continuidade dos trabalhos e a segurança das operações em todas as etapas da montagem.

“A escolha pelo sistema pré-fabricado esteve diretamente relacionada às características da obra. A grande extensão do canteiro, aliada à localização em faixa litorânea, tornaria a execução das peças moldadas in loco significativamente mais complexa sob o ponto de vista operacional”, afirma Cerqueira, que acrescentou que, com a industrialização dos elementos estruturais, foi possível reduzir esses gargalos logísticos e conferir maior previsibilidade ao cronograma da obra, uma vez que as peças chegaram prontas ao local para serem montadas.

Outro aspecto destacado foi a qualidade alcançada no processo industrial. A fabricação em ambiente controlado assegurou um elevado padrão de acabamento e rigor tecnológico, garantindo o cobrimento mínimo das armaduras e a utilização de concreto autoadensável em todas as peças produzidas.

Segundo Cerqueira, essas características são especialmente importantes em estruturas implantadas em ambiente marítimo, nas quais a durabilidade é um requisito fundamental do projeto. O controle industrial possibilitou atender aos parâmetros exigidos para a Classe de Agressividade Ambiental correspondente à orla, proporcionando maior resistência e desempenho ao longo da vida útil da estrutura.

A utilização do concreto pré-fabricado nesse segmento acompanha uma tendência cada vez mais presente na construção civil, conforme avalia Cerqueira, que acrescenta que, além de responder às dificuldades relacionadas à disponibilidade de mão de obra, o sistema industrializado permite organizar melhor o canteiro, reduzir a geração de resíduos e acelerar significativamente a execução das obras.

“Como os elementos chegam prontos para instalação, a montagem torna-se mais rápida e previsível, contribuindo para reduzir o prazo físico do empreendimento e proporcionando ganhos importantes na entrega final da obra, sem abrir mão do controle tecnológico e da qualidade exigidos em intervenções executadas em ambientes de elevada agressividade ambiental”, destaca Cerqueira.

Autódromos

O Autódromo José Carlos Pace, em Interlagos, tornou-se mais um exemplo da aplicação estratégica do sistema pré-fabricado. Executada em 2011, a ampliação das arquibancadas permanentes do Setor B foi concebida integralmente com estruturas industrializadas de concreto, solução escolhida para atender às rigorosas exigências de prazo impostas pelo calendário internacional de eventos do circuito.

Antes mesmo do início da fabricação das peças pela IBRPré, foi realizado um amplo estudo de engenharia para adaptar o projeto arquitetônico, originalmente concebido para outro sistema construtivo, a uma solução totalmente em concreto pré-fabricado. Esse processo permitiu otimizar as ligações estruturais, racionalizar a montagem e garantir que todos os elementos chegassem ao canteiro prontos para a instalação, reduzindo significativamente as atividades de campo. O resultado foi um canteiro muito mais organizado, limpo e eficiente.

Executar uma obra em um dos principais autódromos da América Latina significou enfrentar desafios logísticos pouco comuns na construção civil. O principal deles foi compatibilizar todas as etapas da montagem com os preparativos para o Grande Prêmio de Fórmula 1, evento que exige rigor absoluto na preservação das condições da pista.

A circulação dos caminhões responsáveis pelo transporte das estruturas tornou-se uma operação de engenharia à parte. Para evitar qualquer dano ao pavimento especial utilizado nas competições, as carretas precisavam realizar suas manobras sem esterçar completamente o volante quando paradas, impedindo que os pneus provocassem marcas ou esforços capazes de comprometer a superfície do circuito. Essa condição exigiu planejamento detalhado das rotas internas, controle rigoroso das operações de transporte e sincronização precisa entre fabricação, entrega e montagem das peças. 

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